
CIBERESPAÇO, CIBERCULTURA, CYBERBULLYING
As tecnologias digitais e a profusão das redes interativas têm causado impactos nas práticas, atitudes, modos de pensamento e valores dos indivíduos na sociedade contemporânea. Essa tecnologia trouxe mudanças nas vidas e rotinas das pessoas, tem gerado uma nova cultura, a Cibercultura, nome dado pelo filósofo francês Pierre Lévy (2000, p.17)[1], estudioso das interações entre a sociedade e a internet; o lugar para esta nova cultura é o ciberespaço:
O ciberespaço (que também chamarei de ‘rede’) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ele abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo ‘cibercultura’, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço.
Assim foi com o jornal, o rádio, a televisão, atualmente a internet vem modificando o hábito dessa sociedade, hoje, há um paralelo à sociedade propriamente dita, existe uma sociedade virtual. Uma sociedade movida por meio das novas tecnologias.
As pessoas vivem uma vida virtual com namoros online, algumas mantém seu círculo de amizade pela internet, namoram, outras compram, trabalham e ganham dinheiro pela internet, estudam, escrevem bilhetes, cartas, pesquisam, esta modalidade de comunicação que as pessoas vivem é Cibercultura.
Da palavra cibernética deriva as palavras não tão comuns no nosso dia a dia, como ciberworld, ciberspace, cibercultura, ciberbullying etc., encontramos as seguintes variáveis na grafia: cyberbullying, cyber-bullying, ciber bullying ou cyber bullying. Optamos para este trabalho a palavra: cyberbullying.
Cyberbullying é uma versão do bullying com agressão verbal e escrita por meio eletrônico, através do celular e do computador, a vítima recebe mensagens ameaçadoras, conteúdos difamatórios, imagens obscenas, palavras maldosas e cruéis, insultos, ofensas, extorsão, etc. numa dimensão poderosa onde o número de espectadores na internet pode alcançar, em segundos milhões de usuários.
O termo Mobilebullying, diz respeito a qualquer perseguição, causada com o uso das novas tecnologias telefonia móvel (celular). Hoje os celulares possuem SMS (mensagens de texto) e (torpedos), transmissão por Infra-vermelho, Bluetooth (serviço que permite a troca de informações entre os aparelhos de celular, sem uso de créditos), filmadora e máquina fotográfica.
Muitas vezes, o mobilebullying se torna cyberbullying, pois as informações são transmitidas do celular para a internet, pois hoje, muitos celulares têm acesso a internet. Existem grupos que se reúnem pela internet, para vitimar alguém. Existem comunidades criadas para falar mal de um determinado indivíduo. Os "amigos" criam tópicos na comunidade da escola falando mal deste jovem, ou humilha-o por meio de e-mails ou recados nos sites de relacionamento como Orkut, Facebook, Twiter, Myspace, blogs, websites, fotologs, videos no youtube ou por transmissões eletrônicas instantâneas como Messenger, chats etc.
Para não serem identificados os internautas criam Fakes (perfil falso) na internet para ameaçar as vítimas, porém é possível descobrir quem são os tais Fakes, veremos mais adiante na legislação e na jurisprudência.
Estas ferramentas tecnológicas começaram a ser usadas, no cyberbullying, recentemente, ainda é pouco abordada pela mídia, dentro de casa e na escola. Lentamente está entrando nos ouvidos da opinião pública. Esta é uma situação que ainda permanece na penumbra, num território que só é desvendado quando se pesquisa sobre a matéria ou no pior, quando essa prática do cyberbully entra dentro da sua casa.
O agressor usa as mesmas ameaças e ações do bullying, exceto que a vítima não apresenta provas reais, as marcas visíveis nas roupas rasgadas, objetos e dinheiro que somem ou ferimentos físicos devido ao ambiente virtual, mas, fica mais fácil para os pais detectar os sinais na vítima/filho pela atitudes dele quando parecer nervoso, triste, amargurado, infeliz a ponto de se isolar da própria família depois de usar o computador ou depois de ver mensagens ou receber um telefonemas pelo celular.
Maldonado [2] conta uma história de ficção em seu livro, exemplificando como é a vida de uma jovem que fica na madrugada acordada com seus amigos na rede e acaba sendo vitimada pela ação dos bullies no cyberbullying juvenil.
Veja matéria, publicado no site[3] da psicóloga Maria Tereza Maldonado, que caracteriza muito bem o cyberbullying:
O bullying se caracteriza por ações repetitivas de agressão física e/ou verbal com a clara intenção de prejudicar a vítima. O cyberbullying é ainda mais terrível, porque a perseguição é implacável, podendo chegar a 24 horas por dia nos sete dias da semana: a vítima é atacada por mensagens de celular, filmada ou fotografada secretamente em situações constrangedoras que podem ser colocadas na rede; o agressor pode criar um perfil falso da vítima em sites de relacionamento para difamá-la ou adulterar fotos em que, por exemplo, ela aparece como garota de programa, com seu celular divulgado nas listas de contato do agressor e de seus amigos.
O lar já não é um lugar de refúgio, essa violência invasiva ramifica, acompanha e ameaça os estudantes até fora da escola, sai da escola, vai para a rua, no transporte escolar e chega em casa.
O perigo de sua natureza anônima é a rápida difusão e alcance mundial, é caso para aprofundar os estudos em busca de informações sobre a repetibilidade desta ameaça se podemos caracterizá-la como bullying após quantos dias, devido sua ação de vinte e quatro horas, no decorrer de algum tempo causando transtornos emocionais e psíquicos por causa do tormento e da perseguição.
Vale à pena registrar o paralelo de agressão usando a ferramenta antiga e a ferramenta nova: a virtual, nesta citação que Calhau (2009: p. 39)[4] fez em seu livro:
A internet é um instrumento muito importante para o desenvolvimento da humanidade, e tal qual o avião, pode ser utilizado tanto para o bem como para o mal. As agressões por meio eletrônico são uma evolução das antigas pichações em muros de colégios, casas ou até nos banheiros das escolas. Eram feitas na calada da noite e causavam grande dor para as vítimas, além da impunidade para os seus praticantes.
Hoje, os “lobos” mudaram os métodos, mas não as práticas.
Interessante também a citação de Calhau, referindo-se a Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet Brasil[5], na comparação:
“No mundo real, a agressão tem começo, meio e fim. Na internet, ela não acaba, fica aquele “fantasma ””...
Quem algum dia já passou pela escola, com certeza se lembra do terrível bullying, intimidação ou comportamento agressivo com o intuito de humilhar algum colega. O termo inglês bullying, deriva de “valentão”, não possui tradução possível para o português, e engloba todo tipo de agressão ou intimidação com o intuito de humilhar uma pessoa. Quem não sofreu bullyingcertamente se lembra de algum colega que sofreu.
Apesar de ser um termo novo no Brasil, o bullying não é atual e não acontece somente na escola, também é encontrado nas universidades, no ambiente de trabalho e na vizinhança, porém, sendo mais comum entre os adolescentes. A má notícia é que essa forma de intimidação transpôs as barreiras das escolas e chegou ao meio virtual, com o nome decyberbullying.
Agressores se escondem no anonimato
Uma das diferenças do cyberbullying é a suposta vantagem que o agressor possui pelo anonimato que a Internet pode oferecer. A preocupação de professores e famílias reside no fato de que os insultos virtuais podem se espalhar rapidamente, contaminando todas as pessoas que conhecem a vítima.
Na Internet, as calúnias circulam através de redes sociais, emails, vídeos, blogs e fotologs, mensageiros instantâneos, entre outros, com uma velocidade muito maior do que teriam fora do mundo virtual. Os insultos podem assumir a forma de calúnias, ofensas, perseguições, rumores, boatos maldosos e imagens forjadas sobre a vítima.
É possível alguém espalhar emails e mensagens instantâneas fazendo-se passar por outra pessoa, insultando e disseminando intrigas e fofocas. A principal rede de relacionamentos acessada no país, o Orkut, é utilizada para expor pessoas de forma vexatória, através de comunidades ofensivas, divulgação de fotografias ou vídeos feitos sem o consentimento da vítima, entre outros.
Além das ofensas direcionadas a outros colegas, também há comunidades e tópicos criados nas redes de relacionamento, manifestando repúdio às autoridades da escola e professores, utilizando palavras de baixo calão e xingamentos. As escolas podem identificar e punir os alunos envolvidos.
O cyberbullying em jogos online pode ser detectado em jogos como o Counter Strike, quando alguém envia intencionalmente mensagens hostis a outro jogador ou perturba a sua participação no jogo. Há casos em que um jogador ataca os inimigos que outro jogador está tentando matar, impedindo-o de avançar no jogo, atitude conhecida como roubo de presas.
Atenção, pais! De olho no acesso à Internet
Portanto, se os filhos acessam a Internet em casa, cabe aos pais monitorar o seu acesso à rede mundial de computadores.
É muito importante que os pais consigam detectar se seus filhos podem ser vítimas ou até mesmo praticantes de cyberbullying, para evitar a reincidência desse tipo de comportamento ou auxiliar o adolescente a lidar com a situação.
Monitore o acesso que seus filhos fazem na internet mantendo, por exemplo, o computador em um local da casa de grande circulação.
Cuidado com a privacidade
Assim como fora do mundo virtual, dentro da Internet os cuidados com exposição pessoal devem ser muito grandes. A divulgação de telefones, emails e endereço deve ser evitada, assim como a exposição de fotografias e vídeos pessoais. Quem se expõe demais na Internet corre mais risco de ser alvo de ofensas e piadas maldosas.
Existe uma série de sites e blogs dedicados a exposição das chamadas “pérolas” dos sites de relacionamento, onde muitas vezes as personalidades não são preservadas e as vítimas se tornam motivo de piada rapidamente. Em sites de relacionamento, evite divulgar fotografias ou vídeos seus e de sua família, ou se divulgar, apenas para pessoas nas quais confia.
Basta clicar no botão “Alterar” abaixo do nome de cada álbum seu do Orkut, e escolher os amigos ou grupos com quem deseja compartilhar suas fotografias. Quem não estiver dentro desse grupo não verá seu álbum.
Tome muito cuidado com seus logins e senhas de emails, mensageiros instantâneos como o Windows Live Messenger e redes como o Orkut, não divulgue nem os empreste para ninguém. Evite conversar com alguém pela internet quando estiver com raiva, pois você pode falar coisas das quais se arrependerá mais tarde.
O que fazer quando acontecer o cyberbullying?
O primeiro fato que deve ser ressaltado é que o anonimato na Internet não é absoluto. Todos os computadores conectados à rede mundial possuem um número que pode ser rastreado, o seu IP. Mesmo se o acesso for feito através de uma lan house, caso a mesma possua registro dos usuários, será possível identificar o agressor.
Quem sofreu agressão através da Internet pode preservar o maior número de provas possíveis, tirando, por exemplo,screenshots das telas com emails, mensagens ou fotografias ofensivas.
Essa etapa é muito importante, pois o dinamismo da Internet permite que o conteúdo possa ser tirado do ar ou ser mudado de endereço a qualquer momento.
Quem se sentir ofendido com alguma coisa publicada na Internet pode fazer uma notificação ao prestador de serviço de conteúdo, para que o conteúdo ofensivo possa ser tirado do ar, porém, preservando as provas dos insultos.
Em jogos online...
A maioria dos jogos online, como MMORPGs, possui um Game Master ou Admin, alguém que fica responsável por zelar pela harmonia entre os usuários e auxiliá-los em caso de problemas técnicos ou com outros jogadores. Se você se sentir prejudicado ou ameaçado por outro jogador, contate o Game Master e avise-o sobre o problema.
No Orkut...
O Orkut possui uma política para evitar ofensas e agressões, que funciona através de um mecanismo para denúncia de abusos. Porém, como a ocorrência de problemas é grande, a filtragem do conteúdo não é efetiva. Caso você tenha tido problemas no Orkut, recomenda-se que a página “Centro de Segurança”, na barra inferior do site, seja lida atentamente.
Se o conteúdo for considerado prejudicial, perigoso ou ofensivo, o Orkut pode retirar o material do ar e manter sigilo sobre as denúncias feitas. Vale lembrar que o site argumenta ser impossível o controle de todo o material veiculado pelos usuários.
Se o caso for muito grave, com as provas em mãos, procure uma Delegacia de Polícia para ter orientações de como agir para registrar um boletim de ocorrência. Em muitas capitais do Brasil, a Polícia Civil possui divisões de combate aos crimes virtuais.